Uma construtora pode ter drones, modelos BIM e vários sistemas sem conseguir responder a uma pergunta simples: qual informação a equipe deve usar para decidir hoje? Quando cada obra organiza os dados de um jeito, a compra de tecnologia aumenta o volume disponível, mas nem sempre muda a forma de trabalhar.
A transformação digital na construção começa quando a empresa define como uma informação será produzida, validada e utilizada por pessoas com responsabilidades claras. O desafio envolve a passagem entre departamentos, a capacitação das equipes e a continuidade dos processos quando um profissional muda de função ou uma obra termina.
Este artigo apresenta uma maneira de organizar essa adoção, usando os levantamentos com drones como exemplo. O objetivo é construir uma capacidade que a empresa consiga sustentar e replicar, respeitando as diferenças de cada contrato.
Escolha uma decisão que mereça um processo melhor
Comece por um problema observável. Pode ser a demora para reunir evidências de avanço físico, a dificuldade de localizar o levantamento aceito ou o retrabalho para preparar informações para uma reunião. Evite iniciar com uma lista de tecnologias que todas as obras deverão adquirir.
Descreva o processo atual: quem solicita a informação, quem a produz, quem confere e quem decide. Registre também onde ocorrem esperas, dúvidas e versões concorrentes. Essa descrição permite discutir uma mudança concreta com os usuários, em vez de apenas apresentar um novo sistema.
Defina um resultado para o primeiro ciclo. Por exemplo, chegar à reunião de planejamento com o levantamento revisado, sua data de captura e as áreas que exigem discussão. Esse é um objetivo de adoção; uma redução de custo ou prazo deverá ser medida posteriormente, com base comparável.
Dê responsabilidades à mudança
A adoção precisa de alguém capaz de remover impedimentos entre áreas e de alguém responsável pelo funcionamento diário. A liderança pode definir prioridade e recursos; o responsável pelo processo acompanha solicitações, revisões e problemas de uso. Não é necessário que ambos operem o drone ou processem as imagens.
Topografia, planejamento, engenharia de campo, tecnologia da informação e suprimentos podem ter necessidades distintas. Inclua representantes das áreas envolvidas antes de escolher o fluxo. Uma entrega que funciona para visualização gerencial pode não atender à medição contratual ou ao projeto executivo.
Uma pesquisa do Centre for Digital Built Britain, divulgada em 2022, identificou fatores organizacionais e sociais na adoção digital da construção. A referência ajuda a situar a mudança de práticas e competências junto à escolha de ferramentas.
Crie um acordo mínimo sobre a informação
Antes de padronizar telas e relatórios, combine o significado dos dados. Em levantamentos, isso inclui identificação da obra, área coberta, data de captura, referência de coordenadas, unidades, responsável pela revisão e uso permitido. Quando houver comparação entre datas, registre quais condições tornam os resultados comparáveis.
Estabeleça como uma versão será identificada e como alguém saberá se ela está em revisão, aceita para uma finalidade ou substituída. Esses estados devem fazer parte do processo da empresa e dos recursos disponíveis nas ferramentas utilizadas. Não presuma que enviar um arquivo equivale a aprová-lo.
Para dados que passam entre sistemas, teste uma entrega representativa. Confirme com o destinatário formatos, coordenadas, atributos e limitações. O artigo sobre BIM e captura da realidade com drones detalha essa passagem para a coordenação de projeto.
Treine por tarefa e acompanhe o primeiro uso
Uma apresentação geral da plataforma raramente resolve todas as necessidades. Quem revisa o levantamento precisa avaliar sua adequação; quem prepara a reunião precisa localizar a versão correta e explicar o contexto; quem consulta um volume precisa conhecer a superfície de referência e as limitações da medição.
Organize exercícios com dados da própria obra. Peça que o usuário execute uma tarefa, explique o resultado e indique quando pediria ajuda. Esse retorno revela problemas de linguagem, acesso ou procedimento que não aparecem na lista de participantes de um treinamento.
Mantenha instruções curtas para as tarefas recorrentes e uma pessoa de apoio durante a transição. Inclua substitutos e novos integrantes. Se o processo depende de um único entusiasta, ainda existe um risco de continuidade que a compra de licenças não resolve.
Use um piloto para testar o processo inteiro
Escolha uma obra com uma demanda definida e usuários disponíveis para avaliar os resultados. O piloto deve percorrer solicitação, captura, processamento, revisão, uso em uma decisão e registro do que aconteceu depois. Produzir um modelo visualmente atraente cobre apenas parte desse percurso.
Acompanhe poucos indicadores: entregas utilizadas na reunião prevista, solicitações devolvidas por informação incompleta, tempo gasto procurando a versão correta e ações que precisaram de nova coleta. Registre as causas dos problemas. Um atraso por acesso ao canteiro pede uma correção diferente de um atraso por falta de responsável pela revisão.
Compare o funcionamento antes e depois em condições semelhantes. Considere o esforço de capacitação e apoio. Para uma análise financeira, use uma avaliação de custos e economia com drones que diferencie despesas evitadas de capacidade liberada na equipe.
Amplie com um padrão que aceite diferenças locais
Depois do piloto, documente o que será comum entre obras e o que dependerá de cada contrato. Identificação dos dados, responsáveis e critérios para publicar uma entrega podem ser comuns. Frequência de levantamento, tolerâncias, acessos e exigências do cliente precisam de definição local.
Inclua a entrega dos dados no planejamento de encerramento da obra: quem ficará com os arquivos, quais versões devem ser preservadas e como serão consultadas. Também planeje a substituição de fornecedores ou ferramentas. A continuidade depende de informações compreensíveis e acessíveis aos responsáveis, inclusive após a saída de quem as produziu.
Onde os drones e a Maply entram nessa transformação
A Plataforma Maply permite trabalhar no navegador com mapas, modelos, medições e comparação de levantamentos. Esses recursos podem apoiar um processo compartilhado de acompanhamento; a organização ainda precisa definir os responsáveis, as verificações e os momentos de decisão.
O relato da Construtora Barbosa Mello, publicado em 2023, oferece um exemplo brasileiro: os levantamentos semanais eram procurados por medição, planejamento e engenharia de campo. O valor organizacional estava também nessa rotina de uso, segundo a experiência descrita pelo entrevistado.
Para avaliar uma implantação, converse com a Maply levando um processo atual, uma entrega recorrente e as pessoas que dependem dela. Esse recorte permite discutir como a informação chegará à decisão e o que a empresa precisará mudar para sustentar o novo fluxo.



